Um trabalho que começou no desenho e encontrou na natureza sua principal fonte de inspiração.

Meu nome é Eric Moreira.

Desde criança, encontro no desenho uma forma de observar o mundo. Sempre fui fascinado pelas formas, texturas e padrões presentes na natureza. Muito antes de transformar isso em profissão, já existia em mim essa vontade de entender como as coisas são construídas e por que determinadas formas despertam tanto interesse.

Durante anos, atuei em outra profissão. Apesar da estabilidade, sentia que faltava algo essencial: criar.

Essa inquietação me levou a uma transição de carreira e, em 2023, ao nascimento do Studio Eric Moreira.


O começo

Comecei desenvolvendo vasos decorativos através da impressão 3D.

A tecnologia me permitia transformar desenhos e estruturas complexas em objetos físicos, e encontrei nesse processo uma maneira de explorar as formas orgânicas que sempre me atraíram.

Foi também nesse período que conheci o Design Biofílico.

O conceito me ajudou a compreender algo que eu já fazia intuitivamente: a natureza poderia ser mais do que uma referência estética. Poderia ser uma fonte de investigação.

Foi assim que comecei a observar com ainda mais atenção suas formas, estruturas, texturas e padrões.


A cerâmica entrou pela porta dos fundos

Durante uma das edições da ABUP, conheci uma ceramista que me procurou inicialmente para desenvolver algumas ferramentas para seu trabalho.

Como já trabalhava com modelagem 3D, começamos a desenvolver essas peças juntos.

O que começou como algumas ferramentas se transformou em uma parceria de desenvolvimento. Ao longo do tempo, já foram mais de 100 modelos criados para ceramistas.

Essa experiência me aproximou cada vez mais da cerâmica.

Até que decidi deixar de observá-la apenas de fora e comecei a estudar e praticar o próprio processo.

A cerâmica trouxe para minha investigação algo que a fabricação digital não oferecia da mesma maneira:

tempo, matéria, gesto e transformação.


Quando o objeto se tornou obra

Em paralelo, comecei a explorar peças de maior escala e caráter escultórico.

Uma delas foi uma flor de lótus com aproximadamente 1,5 metro de altura, impressa em 3D e combinada com uma moldura de peroba-rosa.

A obra foi vendida para uma colecionadora que vive em outro continente.

Mais do que uma venda, essa experiência mudou a maneira como eu enxergava meu próprio trabalho.

Percebi que as formas que eu desenvolvia poderiam ultrapassar o universo dos objetos decorativos e ocupar também o espaço da arte e da expressão autoral.


Hoje

Hoje, vejo impressão 3D, cerâmica, madeira e outros processos não como caminhos separados, mas como diferentes ferramentas para uma mesma investigação.

A natureza continua sendo o ponto de partida.

A tecnologia amplia o que posso construir.

A cerâmica me aproxima da matéria.

A madeira traz história e permanência.

E cada novo processo abre uma possibilidade diferente de interpretar aquilo que observo.

É dessa relação que nascem minhas obras, objetos e ferramentas.

O Studio Eric Moreira continua sendo, acima de tudo, um espaço de pesquisa.

Um lugar onde observo, experimento e transformo.

E onde uma curiosidade que começou no desenho, ainda na infância, continua tentando responder à mesma pergunta:

 

Como podemos criar formas que nos façam perceber novamente a natureza da qual fazemos parte?